La La Land: Cantando Estações é um dos melhores filmes dos últimos anos e com certeza o melhor trabalho da carreira de toda a equipe, e para isso existem diversos fatores que influenciaram muito para que a produção alcançasse um patamar tão alto no cinema, o filme encanta e impressiona de maneira quase mágica e é preciso aplaudir os responsáveis pelo glorioso trabalho, e um dos elementos mais fortes e criativos é justamente sua direção de Fotografia.

Desde a abertura do filme somos jogados tanto em cenas frenéticas e elaboradas como em sequências calmas e densas, tudo extremamente equilibrado e coeso. A própria cena de abertura da música “Another Day of Sun” é um deleite à parte, pois podemos ver um belíssimo plano-sequência em cena musical, ao mesmo tempo que o filme imprimi características do cinema clássico e injeta uma nova vitalidade, renovando o gênero com surpreendentes movimentos de câmeras que combinados as músicas e cores somos direcionados para dentro desse mundo, esse tipo de cena se repete em outros pontos do longa, sempre ganhando um destaque enorme, sendo com certeza um trabalho de ponta do diretor de fotografia Linus Sandgren.

Há outras sequências musicais brilhantes, que trabalham mais dentro do formato de homenagem à clássicos dos anos 40 e 50, a era de ouro do cinema, como na primeira cena em que Ryan Gosling e Emma Stone cantam, dançam e atuam em “Lovely Night Dance”, mas novamente a fórmula é alterada pois apesar de se assemelhar a cenas vistas em muitos filmes antigos, ela toda decorre em um sutil plano-sequência que nos leva ao passado dos clássicos com um toque de originalidade e inovação, algo também visto durante a performance de “Someone in the Crowd” em escala muito maior onde a intensidade da música contagia todos em planos-sequências que rompem diversas barreiras do gênero musical. Temos também a belíssima e contida cena de “Audition” na qual acompanhamos um plano fechado de Emma Stone em meio as sombras com uma forte luz incidindo sobre ela, artificio também usado em outro momento quando Ryan Gosling tem o cenário coberto por sombras, e a luz é direcionada somente no ator.

Mas não é somente nas cenas em que o elenco canta e dança que percebemos as técnicas que o filme imprime. Há também momentos dotados de extrema densidade dramática onde o clima é tão tenso que podemos cortar uma faca no ar, enquanto em outros a câmera trafega por Los Angeles de forma frenética nos fazendo acompanhar cada passo dos personagens e nos levando por uma aventura rumo ao amor e sonhos dos protagonistas.

Agora chegamos a um dos pontos mais altos da produção, que está no uso das cores durante o longa, com variações psicodélicas de época transmitindo os sentimentos de Sebastian e Mia que aos poucos no decorrer da trama vão ganhando tons cada vez mais sombrios e realistas onde o contraste e a sombra dão forma ao drama de vida do casal.

E para finalizar é preciso comentar sobre os últimos minutos de “La La Land: Cantando Estações” onde a direção de fotografia, arte, figurino e trilha sonora entram em perfeita harmonia em uma surtada, bela, mágica e empolgante sequência criativa nos relembrando não só de todo o filme mas também de todo o legado que o cinema musical carrega, há movimentos diferentes de câmeras, cores mudando e em perfeita coesão com o cenário, música e atores correndo, dançando e transmitindo suas emoções mais sinceras e profundas, uma cena para marcar o cinema para sempre que não seria a mesma sem o delicado e original toque de Linus Sandgren.

Confira a nossa crítica do filme clicando aqui.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.