Master of None

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Sempre que converso com meus amigos “seristas” não tenho muito que dizer nesse tópico. Não sei quem morreu em Game of Thrones e nem tenho nenhuma teoria sobre The Walking Dead. Ai começa o processo de tentar me “evangelizar” nas séries, tentando me convencer de assistir alguma mas, sempre sem muito sucesso. Até que um dia, dando uma googlada por aí, descobri Master of None e finalmente me identifiquei.

O que eu queria era uma série que tivesse problemas reais, que se passasse no mundo real e não envolvesse poderes ou coisas do tipo e Master of None é justamente isso. Produzida pela Netflix, temos como protagonista Dev (Aziz Ansari que também é o criador da série) um personagem descendente de Indianos que vive em Nova York. Ele está desbravando a tão sonhada/temida fase adulta. Chegou àquela fase em que o tópico não é mais “e as namoradinhas” mas sim “quando você casa?”, a dúvida não é mais qual profissão escolher mas, como se sentir bem na profissão escolhida.

A cada episódio temos um desafio comum da minha geração, galera que está hoje entre os 25 e 35 anos, como: Os problemas com as minorias tão gritantes nas gerações anteriores foram realmente resolvidos? Entendemos e valorizamos o esforço dos nossos pais para nos criar? Devo investir em um relacionamento sério ou ser pra sempre solteiro? Casar? Ter filhos? Talvez nós sejamos a primeira geração que é realmente possível escolher o que queremos fazer da vida e que os moldes antigos não nos servem mais.

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Todos os personagens da série, de certa forma, sofrem por não terem um padrão a seguir. A liberdade que os pais e avós conquistaram na geração anterior foi ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição. Bênção por que se não fossem essas conquistas não teríamos essa liberdade que temos, maldição por que o leque de possibilidades fica amplo demais o que acaba se tornando uma prisão e uma insegurança tremenda na hora de decidir qualquer coisa.

O que achei mais interessante é que a série consegue lidar com esses conflitos de forma leve e sem ser dando lição de moral. Também ficava meio confuso se as situações / personagens eram muito reais ou muito caricatos mas, no final, chegava a conclusão que era possível eu conhecer algum desses personagens.

Um episódio que me chama particularmente a atenção, é o que temos a história dos pais. Vemos como foi a vida dos pais de dois personagens desde a sua infância até o nascimento do filho e a comparação de como é a vida da cria (que é significamente melhor que a primeira). Ao final do episódio ao invés de uma lição de moral, temos um vislumbre de que cada geração tem seus desafios e é difícil cobrar as duas da mesma forma. E, ao invés de um conflito de gerações, é importante entender a realidade de cada um e tentar encontrar um equilíbrio. Achei interessante pois, o episódio emula justamente a relação que tenho com meus pais (inclusive, passei o episódio pra eles assistirem) e também, já vi relatos de outras pessoas que passam pelos mesmos conflitos. Sinal de que a série sabe muito bem do que ela está falando e para quem.

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O único “defeito” que encontrei foi que todos os personagens da série estão muito bem financeiramente. Sempre frequentam os melhores restaurantes, as melhores baladas. O dinheiro está sempre disponível e nunca é um problema, coisa que é bem difícil de acontecer nessa idade que ainda não temos nosso próprio carro nem nossa própria casa.

Pode ser devido à classe que eles escolheram mostrar ou ao país em que a série se passa. Mas, acho que, de tudo que a série significou pra mim isso é ser um problema menor. Mas, sempre me incomodava quando do nada os personagens resolviam viajar para passar o final de semana em outra cidade sem ao menos ter que rever suas despesas. Ou então, a cidade se passar em um “mundo perfeito” que não existe violência ou coisa parecida. Mas, como dito, dá pra passar.

Resumindo, Master of None é uma série que falam sobre e para os novos jovens adultos e seus principais conflitos. Como nós tentamos lidar com as questões dessa nova sociedade. Uma preocupação de honrar o que nossos pais e avós lutaram tanto para nos oferecer. Recomendo para você que está nessa faixa etária e, principalmente, que já está saturado de tanta série de super heróis no cinema e na TV e gostaria de algo que realmente “conversasse” com você. Master of None merece ser visto.

P.S. Já quero a segunda temporada