Vimos todo um universo de adaptações da Disney surgirem a partir de “Alice no País das Maravilhas” (2010), mas que apenas se consolidou em “Malévola” (2014) gerando o interesse em se produzir “Cinderela” (2015), “Mogli – O Menino Lobo” (2016) e “Bela e a Fera” (2017), mas o catálogo do estúdio irá se estender muito mais nos próximos anos com produções como “Dumbo”, “Caldeirão Mágico”, “Mogli 2” e “Espada era a Lei” chegando por aí.

Pois bem, todos conhecem a extensão da empresa do Mickey Mouse em animações, séries, live-action, brinquedos, jogos e parques temáticos, no entanto se pararmos para pensar com calma perceberemos que a era de ouro dela esteve nas animações clássicas, já que hoje eles desfrutam de muitos lucros por se apoiarem em filmes da Marvel e de Star Wars, poucas animações entram para história como seus antigos e vivem no imaginário de fãs, temos algumas exceções como “Moana: Um Mar de Aventuras” (2016) e “Enrolados” (2010), mas fazendo um comparativo é como se a era da Disney tivesse passado há muito tempo. Percebendo isso surgiu-se uma ideia que demorou a ser executada da maneira correta, por mais que “Alice no País das Maravilhas” seja um sucesso de bilheteria o roteiro deixou a desejar e a visão de Tim Burton pesou muito, logo em seguida o estúdio nos entregou “Malévola” e a situação mudou de figura, aqui souberam fazer uma releitura do clássico conto da Bela Adormecida e conseguiram mesclar o sombrio e o colorido na história e a partir daí a porta foi aberta e tivemos o satisfatório “Cinderela” e o impressionante “Mogli”, ambos agradaram os fãs e trouxeram a magia Disney para uma adaptação live-action de alto nível.

Cada produção contribui para essa nova era de maneira diferenciada, “Malévola” se baseou em versões novas da história que deram uma perspectiva diferente da vilã, “Mogli” deu vida ao universo e se aprofundou na relação entre os humanos e animais criando analogias adultas curiosas mas sem perder o tom cartunesco, “Cinderela” trouxe o belíssimo mundo da gata borralheira com luxuosos figurinos e uma incrível direção de arte, mas que ainda careceu de um certo carisma, encontrado em “A Bela e a Fera” no qual mesmo com alguns problemas em cenas de efeitos especiais conseguiu transpor todo o estilo e magia do clássico, inovando com uma tímida representatividade com um personagem gay e aprofundando as questões dos personagens e seu mundo solucionando algumas pontas soltas do desenho de 1993.

Deu-se então a largada, e agora a nova era Disney garantiu tanto representações quanto releituras de seu panteões de sucessos do passado, mas sempre gerando um lucro absurdo e criando-se um mercado tão poderoso quanto o das produções da Marvel e Star Wars, que inicialmente fez com que diversos projetos fossem levados para a frente.

Em suas próximas versões live-action diferentes longas nos esperam e alguns mais curiosos do que se imagina, possibilitando com que diretores, roteiristas e atores criem e personifiquem muita coisa nova baseado nesses grandes sucessos do passado, como “Cruela”, filme que nos trará uma visão sobre a vilã de “101 Dálmatas” replicando o efeito de “Malévola”, há ainda uma versão de “Mulan” feminista com tom épico de ação e aventura que altera boa parte do material visando modernizá-lo, e ainda existe até uma versão adulta de “Ursinho Pooh”, além de muitos outros como “Sininho”, “Aladin”, “Pequena Sereia” e muito mais. Como se vê existem adaptações para todos os gostos chegando, das mais comuns até as mais diferenciadas, e só o tempo poderá dizer o como isso irá influenciar o estúdio e o mercado cinematográfico, no momento só o que podemos saber é que uma nova era para a Disney se iniciou e gloriosos filmes nos aguardam para serem desenvolvidos e assistidos.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.