“A esperança é igual quando perdemos a chave do carro. Perdemos, mas sabemos que ela está por perto!”

O que define o heroísmo e o altruísmo das histórias de super-herói? São os poderes? Ou é algo que bate no fundo do coração com o desejo de ajudar e inspirar a todos por um futuro melhor?

Na editora DC Comics tivemos sempre esses deuses preparados para inspirar a humanidade, por muito tempo diretores pareciam fugir dessas raízes, talvez por não saberem a melhor maneira de abordar um tema simples e complexo e arrebatar fãs e corações ao redor do mundo.

Foi possível ver uma fuga disso, tanto em “Homem de Aço” como em “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça”, ambos foram filmes controversos e que dividiram o público, mas eis que surgiu “Mulher-Maravilha” que com suas inspirações no clássico Superman de 1978, trouxe humor, carisma, otimismo e esperança em uma aventura emocionante, divertida e empolgante que enalteceu as profundas mensagens da editora.

Dando continuidade ao tom, a nova superprodução, “Liga da Justiça”, aponta para um novo e glorioso caminho para seu universo de super-heróis, trazendo muito humor, carisma e engrandecendo cada vez mais o espírito nobre de seus personagens.

Esses temas estão nas origens mais simplórias e conservadoras da DC Comics, no cerne de sua mitologia épica e fantástica reside todos esses sentimentos, que infelizmente nunca haviam sido bem expressos através de suas adaptações cinematográficas, mas agora enfim podemos vê-los brilhar da maneira correta, expandindo os conceitos de Mulher-Maravilha à níveis muito mais altos.

Claro que o humor e a diversão do filme do super-grupo foi sim um ponto alto, e que gerou uma forte aceitação do público, mas por baixo disso podemos enxergar um subtexto bem pontual e desenvolvido sobre a busca da esperança (Superman), amadurecimento (Mulher-Maravilha), remorso por erros do passado (Batman) e dilemas familiares (Cyborgue, Aquaman e Flash), tudo isso você é capaz de encontrar em diversas edições dos quadrinhos deles e aqui são bem usadas para a construção da trama e do tom buscado pelo diretor.

Há uma importância enorme desses elementos e dessa produção, pois além de terem guiado o Universo DC para um futuro grandioso pelos próximos anos que virão, o longa se destaca no meio de tantos outros filmes de heróis que pareciam mostrar personagens, que por acaso, são heróis, e estão sempre preocupados com suas questões pessoais (Marvel), enquanto aqui enxergamos ideais, códigos morais e grandes espíritos dispostos a entregar tudo que possuem pela salvação, nunca deixando de inspirar e ajudar os humanos. No final, nas profundezas do gênero, é sobre isso que se trata o arquétipo do super-herói.

A DC Comics no cinema teve um caminho árduo até então, lidando com a forte concorrência, ideias polêmicas, e a resistência de seu público, mas agora enfim parece ter encontrado seu lugar ao sol com o grande ano de 2017, tendo as duas grandes obras, Mulher-Maravilha e Liga da Justiça. Que venha Aquaman, Shazam, Liga da Justiça 2, Mulher-Maravilha 2 e muitos outros!

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.