O figurino de Jackie

Faltando apenas dez dias para o Oscar as apostas seguem em alta. Considerado o grande termômetro da premiação, o BAFTA, que aconteceu no último domingo (12) comprovou alguns dos favoritos, entre eles o vencedor na categoria melhor figurino, o filme Jackie.

Dirigido por Pablo Larraín, Jackie conta a história de um breve período na vida de Jacqueline Kennedy (Natalie Portman), primeira-dama americana. O filme que se passa durante o dia do assassinato de seu marido, o presidente John Kennedy, e os dias subsequentes de sua morte, teve boa parte do figurino recriado por Madeline Fontaine, a partir das criações originais assinadas pelo francês Oleg Cassini, que foi um dos principais responsáveis pelos looks de Jacqueline na vida real, assinando mais de 300 peças, de vestidos a chapéus.

O grande destaque do figurino do filme fica mesmo para o icônico tailleur pink, usado por Jackie no momento em que o presidente foi assassinado, no filme, assim como aconteceu realmente, ela se recusa a trocar o terno manchado com o sangue do marido, para, como ela mesma disse, “Eles verem o que fizeram”. Apesar de ter um design muito parecido com o da Chanel, o modelo era da marca Chez Ninon (de Nova York) – seu sogro, Joseph Kennedy, havia pedido a Jackie que não usasse roupas de grifes francesas – mesmo assim Coco Chanel forneceu o tecido e todo o material de acabamento. Para recriar o modelo. Madeline contou com a ajuda da Maison francesa mais uma vez, a estilista conta que foram preparados (à mão) cinco modelos iguais e que os botões são Chanel, sobre a peça ela comentou: “Honestamente, espero não trair a memória deste ícone americano”.

A figurinista criou também algumas peças originais, como é o caso do vestido fourreau verde usado na cena do concerto na Casa Branca, acompanhado de luvas brancas e brincos de pérola, o vestido foi criado tendo como referência o estilo dos anos 60 e as criações de Cassini. Muitas peças usadas no filme foram garimpadas em brechós e algumas foram cedidas por grandes marcas como o vestido preto rendado Dior.

O desafio para Natalie Portman também foi grande e sua caracterização também está incrível, o longa já rendeu a ela o prêmio de Melhor Atriz pelo Critic’s Choice Awards e a indicação ao Oscar. A figurinista Madeline Fontaine, também teve um grande desafio com esse filme, recriar o visual de uma das mulheres mais bem vestidas do século XX não é tarefa fácil e foi brilhantemente executada por ela, além disso, Fontaine reforçou o emocional dos personagens através do figurino e buscou referências históricas na época e em fotos da família Kennedy, tanto nesses dias, quanto em outros momentos da vida íntima e pública, proporcionando uma viagem histórica por um dos acontecimentos mais marcantes da história norte-americana. Madeline já foi premiada anteriormente com duas estatuetas no prêmio César (França) por Eterno Amor e Séraphine, porém esta é a sua primeira indicação pela Academia.

SHARE
Juliana Schmidt
Sou do tipo que chora em filmes, séries e livros, por isso mesmo me considero uma apaixonada. Reparo em coisas que pouca gente presta atenção como figurinos, cenários e trilhas sonoras.