Doutor Estranho foi um dos maiores sucessos do ano, isso é inegável a Marvel acertou mais uma vez com uma aventura cheia de ação, diversão e carisma, mas o ponto mais forte do filme vai muito além disso, pois a maior qualidade da produção foi a forma como elaboraram e construída o universo com os melhores efeitos especiais que já havíamos visto em anos, e não é por menos que ele foi indicado ao Oscar desse ano. Tentaremos analisar aqui o porquê de tantos elogios ao novo filme de super-herói da Marvel, é preciso avisar anteriormente que haverá grandes spoilers no texto.

Em uma das primeiras cenas já podemos ver muito bem a técnica dos responsáveis por toda a magia aqui, com uma elaborada cena do protagonista mergulhando por diversas dimensões que nos arremessa direto para a história de Stephen Strange, e gradativamente ao longo da produção vão surgindo mais e mais sequências de tirar o folego e encher nossos olhos.

Existem três grandes cenas no filme que valeriam qualquer prêmio em qualquer festival, vamos a primeira delas, a que comentei acima em que vemos Stephen Strange viajar por muitas dimensões em poucos segundos.

Nessa cena em especial Stephen estava à procura de ajuda para curar suas mãos, e após lidar com certo desdém com a Anciã ela decide lhe mostrar a extensão de nossos universos. O que se vê logo em seguida são diversas micro cenas do herói em muitas dimensões diferentes, cada uma lidando com um conceito e física diferente do nosso mundo, mas sempre em um ambiente extremamente colorido e surreal, onde tudo muda em questões de segundos, é como vermos uma estranha mistura do visual exagerado e psicodélico de “Guardiões da Galáxia” com a física e construção de realidade de “Upside Down” e “A Origem”.

Na segunda grande cena do filme, temos uma empolgante perseguição por Nova York onde ocorre totalmente na Dimensão Espelhada toda gravada em IMAX, onde diversos magos interagem juntos cada manipulando o local da sua própria maneira, são diversas ações de transformação de realidade ocorrendo ao mesmo tempo, em uma corrida cheia de lutas e magias sendo invocadas a cada momento usando como palco a cidade, aqui eles alteram a física e a lógica dos prédios e ruas em uma realidade alternativa que não pode ser vista pelos humanos, o que rendes cenas empolgantes e muito engraçadas . Não são, no entanto, somente artifícios de computador de tornam tudo isso real, há também um grande uso de plataforma, cordas e muitas coreografias para transpor o universo e o conceito de Doutor Estranho para as telas.

Aqui embaixo você pode ver um pouco de como foi gravado e como se tornou após a adição os incríveis efeitos:

Mas em sua terceira sequência vemos uma das cenas mais complexas e trabalhosas, na qual o mundo de Dormammu colide com o nosso mundo, onde vemos aos poucos tudo ser destruído com magia insana só para em seguida presenciarmos a magia do tempo do Olho de Agamoto fazer tudo regressar da destruição recriando cada elemento e personagem em uma viagem temporal para o desenrolar da resolução da história, além de acompanharmos o herói trafegar para o mundo do vilão, e aqui vemos o personagem morrer de diversas maneiras diferentes, cada vez mais complexo e mais elaborado com cores e formas se distorcendo de maneira surreal e criativa, um delírio visual para ser visto e revisto.

Doutor Estranho marca a Marvel como um grande divisor de águas para aa produções blockbuster e para o cinema em geral, levando a estética e linguagem visual a um lugar nunca antes visto, pode não levar o Oscar, mas ainda falaremos de seus maravilhosos efeitos por anos e anos.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.