[Primeiras Impressões] American Horror Story: Roanoke

Depois de um suspense que perpetuou-se por quase todo esse ano, finalmente descobrimos o tão aguardado tema da sexta temporada, e com isso algumas novidades tanto no elenco quanto no formato em que a série pretende se desenvolver. O fato é que essa temporada parece estar disposta a usar e abusar do gênero terror.

A primeira novidade apresentada até mesmo antes do tema, é o formato de “falso documentário” em que a série coloca parte do cast interpretando vitimas “reais” narrando o caso, enquanto atores reconstituem as cenas perante aos relatos. Essa mudança a principio é interessante pois gera um suspense ainda maior acerca dos acontecimentos, porém ao mesmo tempo anula qualquer possibilidade de esperar que algum personagem morra, uma vez que estão relatando um acontecimento passado. Não se sabe se essa estrutura irá até o último minuto do season finale, e com isso eu ainda acredito que essa quarta parede possa ser rompida no momento conveniente.

O tão aguardado tema foi revelado na transição para o primeiro intervalo, de forma direta e sem nenhuma abertura, o que gera uma angustia aos fãs que adoram o tema marcante da série.

 

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O enredo se baseia na mitologia da antiga colônia de Roanoke, que segundo relatos, 117 pessoas desapareceram misteriosamente deixando apenas a palavra “Croatoan” escupida em uma das arvores. Na série o casal Shelby e Matt havia se mudado para uma casa na floresta em que Roanoke ficava. A ideia era esquecer os problemas do matrimonio e o filho que eles acabaram de perder, muito semelhante a premissa de Murder House.

A Shelby real é vivida por Lily Rabe, enquanto sua interprete na reconstituição é a Sarah Paulson, já Matt é interpretado por André Holland,  representado em seus relatos por Cuba Gooding Jr. A química entre o casal funciona e as interpretações são consistentes o que reforça o talento dos atores e diretores, uma vez que a menos de um ano Cuba era antagonista da personagem de Sarah em American Crime Story. Quanto a Lily e Holland também cumprem com excito as suas funções, que por sua vez não são tão simples de serem executadas como todos pensam, qualquer deslise pode romper a ideia de entrevista documental e a série tornar-se uma tragédia cômica.

A direção de arte é sem sombras de dúvidas o maior legado da série, pois nas cinco temporadas anteriores construiu trabalhos impecáveis, criveis e esteticamente deslumbrantes dentro da linguagem. Aqui não é diferente, a propriedade que o casal compra é sombria por toda a sua essência, e diferente de Murder House não há sofisticação alguma. Tudo é obscuro e possui uma paleta de cores que caminha entre tons de marrom, amarelo e cinza. O figurino é bem pensado e casa com a personalidade das personagens tanto no relato quanto na reconstituição aprimorando ainda mais o material final.

 

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A fotografia é outro selo de qualidade e ousadia que a série possui e sempre parece inovar ao longo dos anos. Em Coven tínhamos um uso constante da lente olho de peixe para contemplar a casa das bruxas. Em FreakShow os planos possuíam enquadramentos mais fechados variando entre planos médios e close ups, o que criava um clima claustrofóbico. Hotel por sua vez já visava o deslumbro, optando por enquadrar o máximo que fosse possível. Agora aqui em Roanoke a ideia é trazer ao máximo a estética documental, sendo assim há uma série de sequencias com a câmera perseguindo as personagens pelas costas ou circulando por elas enquanto as mesmas trocam diálogos, e ainda que presa nessa estética, os clássicos planos detalhes sofisticados de utensílios caindo, coisas sendo cortadas e objetos sendo manuseados continuam presente.

 

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Aqui também não podemos esquecer do papel do editor que possui uma responsabilidade gritante em manter viva a proposta de documentário, e felizmente, o responsável pela função executa um trabalho maravilhoso sabendo os melhores momentos de introduzir as narrações, os cortes e as transições que são secas e diretas, deixando a montagem até propositalmente perceptível em certos momentos. A sonoplastia é outro ponto bem explorado e utilizado nos melhores momentos fazendo com que a atmosfera das cenas fiquem ainda mais assustadoras.

Esse primeiro episódio por sua vez trouxe também referências a vários teasers apresentados anteriormente, embora apenas um represente a temporada por completo. A floresta apresenta uma estética semelhante a de “Sexta-Feira 13” junto de “A Bruxa de Blair”, sendo que esse último possui uma citação direta em uma das cenas.

 

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Não podemos deixar de comentar que durante a primeira temporada, quando Billie Dean (Sarah Paulson) tenta ajudar Violet (Taissa Farmiga) a expelir os espíritos de sua casa, ela sugere usar a palavra “Croatoan” para afastá-los. Quando a garota tenta botar o ensinamento em prática, um dos fantasmas surge e comenta o caso de Roanoke ironizando sua tentativa de expulsá-lo.

Quanto ao roteiro não chega a impressionar em seus recursos narrativos e não nos entrega quase nada acerca da trama e suas personagens, mas consegue criar um clima de suspense excepcional e a importantíssima vontade de “quero mais”. Por fim o formato documental seguindo uma família perturbada reduz a possibilidade da série se perder introduzindo tramas secundarias, porém, ainda é cedo para dizer que essa observação será mantida.

No geral a Season Premiere não é tão impecável e eficiente quanto a de Hotel, mas consegue introduzir seus novos recursos muito bem e nos deixa com a cede pela continuação. Vale lembrar que American Horror Story tem um histórico de entregar bons pilotos e falhar no desenvolvimento dos episódios posteriores, portanto não é bom criar expectativas, mas boa ou ruim essa temporada tem tudo para seguir firme dentro do gênero terror, semelhante a Asylum, e com isso esperamos que se desenvolva tão bem quanto.

 

 

 

 

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
7
Atuações
9
Direção de Fotografia
10
Direção de Arte
10
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.