Vince Gilligan e Peter Gould retornam com mais uma temporada de “Better Call Saul”, a série spin-off de “Breaking Bad” que nos permite ver a origem de Saul Goodman e reviver a cidade de Albuquerque e seus criminosos, tudo para mais uma vez vermos que todo ato, por menor que seja, tem consequências gigantescas e que não há nada que não esteja tão ruim que não possa piorar nessa cidade.

Na série conhecemos Saul Goodman (Bob Odenkirk), o advogado porta de cadeia que auxiliou Walter White em “Breaking Bad” quando ainda era Jimmy McGill, seis anos antes de conhecer Walter White. Saul trabalhava tanto com multas de trânsito como em casos de assassinatos, sempre ajudando criminosos a escaparem de suas acusações.

Em seus dois últimos anos “Better Call Saul” nos apresentou o seu universo e seus vários personagens novos e antigos e pudemos ver o conflito de Jimmy com seu irmão Chuck (Michael McKean), seu passado como jovem inconsequente e irresponsável, seu romance com Kim Wexler (Rhea Seehorn), e também seu talento aflorar como advogado porta de cadeia ao mesmo tempo em que se inicia uma parceria formada por troca de favores entre ele e Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks), que perduraria até os últimos anos de “Breaking Bad”.

O primeiro episódio volta a nos mostrar uma pequena amostra do futuro de Saul Goodman após “Breaking Bad”, onde vive como Gene com eterno medo e desconfiança de que tudo pode acabar a qualquer momento, esse arco vem sendo construído com muita calma desde o início do seriado aumentando cada vez os seus mistérios.

Logo em seguida retoma a narrativa do ponto em que parou no último ano, quando Chuck e Jimmy McGill se confrontam sobre uma grande falcatrua cometida por McGill ao irmão, a partir daí o episódio se desenrola mostrando McGill sofrendo pressão por todos os lados por seus atos na temporada passada e estabelece alguns arcos para esse ano, paralelo a isso Mike está em uma misteriosa jornada onde tenta a todo custo, descobrir como está sendo seguido e por quem.

O episódio é muito bem escrito pois além de saber equilibrar bem seus núcleos, é possível ver o desenvolvimento tanto do drama nas relações pessoais de Jimmy com Chuck, como também seu conturbado relacionamento com Kim, percebe-se também uma sensação que se tem de um grande perigo chegando perto de alcançar Jimmy, e isso com certeza afetará a todos ao seu redor terminando por causar o início da tal aguardada transformação de Jimmy em Saul.

O episódio como sempre é marcado por ótimas atuações de Michael McKean e Rhea Seehorn como Chuck e Kim, personagens que assim como Jimmy se encontram em seus limites, mas o show aqui é de Bob Odenkirk que se mostra perto de perder o controle de sua mente e apresenta cada vez mais lapsos do seu jeito fanfarrão de Saul Goodman surgindo em sua personalidade, e é nesse equilíbrio entre humor, drama e insanidade que o ator consegue fazer o melhor e se sobressai, além de ser o que dá o tom incomum da série até agora.

Mais uma vez a produção é marcada por sua trilha diferenciada e inusitados ângulos e movimentos de câmera de sua fotografia alaranjada e ensolarada da cidade de Albuquerque, marcas já registradas da produção que sempre foi bem carregada de invenções e criatividade em sua narrativa e em sua técnica.

O figurino e a construção das cenas estiveram dentro do comum do seriado, dando as características necessárias para as personalidades de cada personagem, além de serem bem adequadas a seu universo, apesar de haver uma certa ausência das cores vibrantes nas roupas extravagantes de Jimmy MCGill.

Podemos concluir pelo primeiro episódio que “Better Call Saul” continua a trilhar seu próprio caminho, ainda que possamos traçar um ou outro paralelo com “Breaking Bad”, aos poucos vemos as peças sendo colocadas para o grande momento de catarse de Jimmy McGill, e pela sensação de perigo, ela pode estar chegando mais cedo do que imaginamos, em uma temporada que promete ser marcada por fortes emoções, Saul Goodman está chegando.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
10
Direção
9
Atuações
10
Direção de Fotografia
9
Direção de Arte
8
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Otávio Renault

Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.