Não sou muito fã de séries de super herói mas por tratar-se de uma produção da Netflix eu não pude deixar de ver, ainda mais quando a Deborah Ann Woll (True Blood) está no elenco. Essa atriz e a sua personagem, Jessica, sem duvidas foram uma da melhores coisas da falecida série de vampiros da HBO. Agora em Demolidor ela continua firme e com uma ótima personagem.

A abertura é o primeiro ponto a ser elogiado, os tons de vermelho que ilustram o sangue construindo as figuras que aparentemente dizem muito sobre o protagonista como o caso da estátua da deusa Têmis que simboliza a justiça, e a igreja que é o local em que Matt sempre procura um conforto psicológico. Além de outras construções referentes a cidade que ele passa as noites tentando proteger. A trilha sonora é viciante e assim como outras produções da Netflix acabamos ficando viciados nesses poucos segundos iniciais que estão presentes em cada episodio.

Daredevil é sem dúvidas uma grande produção do gênero, a começar pelas atuações impecáveis. Charlie Cox ficou com o papel do protagonista Matt Murdock e consegue ser incrivelmente convincente, fato esse que me chamou atenção no piloto, afinal não conhecia os trabalhos anteriores do ator. Sua atuação é tão impecável que mesmo beleza não sendo seu forte, ele consegue ser extremamente charmoso e misterioso. Deborah Ann Woll começa em uma cena de horror com muito sangue e drama o que traz boas recordações aos fãs de True blood, sua personagem ganha um bom destaque no episódio de abertura e sua atuação como já dito antes, é impecável. Elden Henson interpreta Foggy Nelson o braço direito de Matt Murdock/Daredevil e ainda que não tenha recebido um grande destaque no inicio provou que dará conta do serviço.

 

Daredevil

 

A fotografia também marca pontos positivos, fazendo o uso de uma paleta de cores acinzentada característica de filmes e séries do gênero, porem ainda trazem um requinte a mais para as cenas noturnas que é a constante presença de tons de amarelo em contraste com os vermelhos. Por fim os giros de cena focados nos personagens em parceria com ângulos de abertura maior que combinados com a ação relembram o Batman de Cristopher Nolan, transmitindo um clima sombrio e misterioso em toda narrativa. O uso do gore também não é polpado o que acaba por agradar muito os fãs dos quadrinhos que pediam por algo tão sombrio como a obra original.

O roteiro é impecável aos requisitos de um episódio piloto. Apresenta seus protagonistas com maestria e prova que Daredevil não será só um combo de cenas de ação, pois conta também com um belo plano de fundo dramático tanto em relação ao passado de seus protagonistas como em seus conflitos atuais. Porem ainda é aqui que o primeiro erro floresce, afinal como toda rosa tem espinhos, Daredevil não é diferente. Seu erro começa na narrativa lenta e cansativa com desfechos e cenas um tanto clichês do gênero, que acabam por desanimar o telespectador, essa sensação de enrolação fica ainda mais evidente na reta final do episódio, e por conta dessa narração cansativa uma opinião ambígua tomou conta de mim e para tirar todas as duvidas arrisquei o episódio seguinte. E é nesse momento que as coisas ficam mais claras quanto a trama central, o episódio é praticamente todo focado no passado do protagonista e como esses acontecimentos acarretaram no nascimento do que conhecemos como Demolidor.

Com um foco no lado mais humano do protagonista o segundo episódio intitulado “Fio da navalha” tirou todas as minhas duvidas quanto a qualidade da série. Isto é se antes tínhamos atuações, fotografia e enredo impecáveis, agora temos também um roteiro excepcional. O passado de Matt é triste e isso é perfeitamente transmitido através dos flashbacks. É aqui que percebemos que não estamos lidando com mais uma adaptação de um quadrinho de super heróis cheios de ação e porrada, e sim com uma série madura, humanizada que tem um ótimo background, além de claro, muita ação e desta vez sem pudores em mostrar a crueldade e o sangue escorrendo.

Só posso concluir dizendo que a trama de Daredevil é extremamente solida e bem estruturada, com atuações impecáveis e uma direção exemplar, diferente de qualquer outra produção do gênero. Se assim como eu, você também torça o nariz para filmes e séries relacionadas a super heróis pode começar está, pois a experiencia será diferente de tudo que você já viu.

Demolidor

Ainda está aqui? para de enrolar e vai logo assistir essa série maravilhosa!!!

REVIEW OVERVIEW
Nota
SHARE
Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.