[Primeiras Impressões] Penny Dreadful: Terceira Temporada

   Penny Dreadful tem atraído a curiosidade não apenas de fãs de filmes e livros clássicos de terror como também a de uma nova leva de curiosos, mantendo um número estável de espectadores desde sua estreia. Visto por alguns como uma versão “adulta” de Once Upon a Time por misturar personagens de universos diferentes em uma mesma narrativa, tem uma qualidade geral de roteiro e produção muito superior. É claro que entre a primeira e segunda temporada, foi notável a evolução na qualidade do texto e na construção dos personagens, o que parece que permanecerá em ascensão a julgar pela première da terceira temporada exibida ontem.

   Além de Eva Green (Os Sonhadores), Josh Hartnett (Pearl Harbor), Timothy Dalton (007: Licença Para Matar), Rory Kinnear (O Jogo da Imitação), que são nomes importantes do cinema, a série conta também com grandes nomes do teatro, como Simon Russell Beale que recebeu nada menos que três Oliviers (o “Oscar” teatral britânico) e a americana Patti LuPone, que já tem um Olivier, dois Tonys (equivalente americano ao Olivier) e dois Grammys. O que pode ser muito bem justificado, afinal, não poderiam colocar personagens de Mary Shelley e Bram Stoker em mãos mais competentes que as do elenco escolhido.

 

    Assista abaixo um teaser desta nova temporada:

 

   O nome do episódio, “O dia em que Tennyson morreu”, nos situa em 6 de Outubro de 1892, data da morte do poeta Alfred Tennyson, permanecendo ainda no período Vitoriano em que as Penny Dreadfuls (revistas baratas de contos de terror e relatos sobre crimes) eram vendidas e fazendo referência a algo que vimos muito no decorrer das duas temporadas anteriores: a abordagem recorrente à poesia e literatura.

   Neste início da terceira temporada, tivemos a introdução de alguns novos personagens, como Reinfeld (Samuel Barnett), de Dracula, Dr. Jekyll (Shazad Latif), de O Médico e O Monstro, e a Dra. Seward (Patti LuPone) – um nome bastante revelador, já que além de ser uma personagem inspirada no alienista de mesmo sobrenome de Dracula, Sew no inglês significa costurar  -, já vista nos teaser-trailers, que não coincidentemente tem a mesma aparência de Joan Clayton – The Cut-Wife, onde cut, significa corte – , a bruxa que na segunda temporada descobrimos ter uma ligação com Vanessa Ives (Eva Green). A impressão é que grande parte da temporada voltará à premissa da primeira, que ligava Mina Murray, a filha de Sir Malcolm e melhor amiga de Vanessa, ao vampiro Dracula.

LuPone
Patti LuPone, à esquerda como Joan Clayton e à direita como Dra. Seward

   A distância física entre os personagens faz com que sejam vistos ainda mais vulneráveis do que antes, quando formavam uma “equipe” não intencional, já que Vanessa permanece em Londres, assim como Victor Frankenstein (Harry Treadaway); Ethan Chandler (Josh Hartnett) foi deportado para o “Novo Mundo” e é visto no Novo México; Sir Malcolm (Timothy Dalton) está na África, onde foi enterrar Sembene (Danny Spadani); John Clare (Rory Kinnear) , o “monstro de Frankenstein” está em um navio preso no gelo, no meio de lugar nenhum. Como a Dra. Seward diz à Vanessa: “Você está infeliz. Isolada. […] Recentemente perdeu algo que julga muito importante”, o que é verdade não apenas para ela, mas para todos os personagens que aparecem na linha narrativa do episódio (Vanessa perdeu a fé, Ethan e Sir Malcolm; Ethan perdeu todos os amigos que fez em Londres e a liberdade que procurou ao fugir dos Estados Unidos; Sir Malcom perdeu a filha, a esposa, um amigo de longa data, e os “filhos” que via em Vanessa, Ethan e Victor; Victor perdeu Lily, sua terceira criação, para Dorian Gray).

   O espaço dedicado às origens de Ethan – que não é Chandler, mas Talbot, como o personagem interpretado por Lon Chaney em O Lobisomem (George Waggner, 1941) no ensolarado Novo México (uma mudança interessante para a fotografia sombria apresentada até então) promete ser tão interessante quanto os mistérios que permanecem centrados na capital britânica.

new mexico

   Um dos pontos mais interessantes de Penny Dreadful é que não há um personagem sequer que possa ser caracterizado como “mocinho”. Todos os personagens principais podem ser considerados anti-heróis, com uma tendência alta para cair para o lado da vilania, o que torna a narrativa densa e cheia de reviravoltas. E reviravoltas não devem faltar nessa nova temporada.

   Por um primeiro episódio como o do último domingo, podemos esperar muitas novas homenagens ao cinema e à literatura com a mesma qualidade da última temporada, e o lado Capitão América dos aficionados por terror sempre vai comemorar com um “Eu entendi a referência!”.

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Camila Rodrigues
Alguém com vício em leitura, escrita, cinema clássico, teatro musical e que tem um humor esquisito e quase nunca compreendido. Se eu reclamo? Jamais! Gosto de ser assim.