Resenha: Cérebro – HQ de Eron Villar e Carlos Eduardo

Eu nunca escondi o fato de ser o grande admirador dos mais diversos quadrinhos, desde Marvel e DC até Turma da Mônica e alguns mangás, mas sempre observei que esse gênero possui pouquíssimos fãs e é um tanto injustiçado. Em algumas editoras que saem um pouco do mainstream como Dark Horse Comics e Vertigo, eu costumava ver algo diferente e carismático que frequentemente mexia com minha cabeça, emoções e os conceitos pré-estabelecidos das convenções típicas das séries de quadrinhos.

E foi essa mesma sensação que a HQ “Cérebro” de Eron Villar e Carlos Eduardo Cunha causou em mim, acabei por ler com muita empolgação e grande voracidade cada página me interessando cada vez mais por sua curiosa, nostálgica, envolvente e frenética trama.

A história é ambientada em uma Recife futurista, focando no projeto Cérebro, um experimento neuro tecnológico desenvolvido por uma Coordenação Especial, formada pelas várias polícias internacionais. O tal projeto tem por finalidade recrutar agentes e soldados que são treinados por inteligências artificiais para assim aumentar as suas capacidades físicas e mentais para superarem os limites dos seres humanos comuns.

Partindo desse ponto acompanhamos a dupla de agentes Rone e Vitor que se deparam com um típico caso de drogas que, ao invés de revelar envolvimento de algum cartel, aos poucos ambos descobrem que tudo parece levar a uma chamada “droga perfeita”.

Conforme se lê a HQ, percebe-se cada vez mais uma fuga dos clichês e das frases prontas dos materiais que referencia, agregando uma mitologia científica e social que inserem uma grande bagagem em seus personagens, além do uso dessa estrutura de narrativa muito mais intrincada e complexa do que parecia ser de fato. Tudo isso flui bem e ainda traz conceitos relevantes para nossa sociedade junto de ação desenfreada e pontual, algo que jamais deixa o leitor se perder ou se cansar.

Como podem ter percebido, há um desejo de referenciar elementos famosos e populares dos anos 80 como “Super-Máquina”, com visões futuristas em um contexto policial de ação e uma linguagem recheada de carisma. No entanto, os quadrinistas vão muito além do que se espera em uma obra dessas, compreenda bem, uma HQ se sustentaria já perfeitamente apenas apoiada em homenagear e obedecer certos padrões, porém é aí que eles nos enganam, quebrando paradigmas página a página, quadro a quadro. Parece até que pegaram todos esses modelos dos anos 80, refinaram e subverter diversos detalhes, trazendo inovação e uma certa inventividade misturando traços simpáticos, roteiro rebuscado e doses insanas de humor, crítica e ação como um bom quadrinho deve ser.

“Cérebro” faz uma grande estreia em sua primeira edição, captando várias emoções e estilos, equilibrando seus elementos e, claro, sabendo como apresentar seus conceitos científicos e policiais de forma que não só nos faz criar expectativas, como também prende a nossa atenção.

Que venha o próximo capítulo!


Cérebro - HQ de Eron Villar e Carlos EduardoFicha Técnica

Título: Cérebro – Modus Operandi
Autor: Eron Villar e Carlos Eduardo Cunha
Editora: Villa Lux
Número de páginas: 24
Edição: 2018


 

REVIEW OVERVIEW
Nota
SHARE
Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.