[Resenha] As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Titulo: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (As Crônicas de Nárnia)
Autor: C. S. Lewis
Gênero: Fantasia/ Ficção
Editora: Wmf Martins Fontes
Páginas: 180

 

 

Esse é talvez um dos mais famosos livros que englobam a coleção, trata-se do primeiro a ser publicado e também a ser adaptado para o cinema, apesar de ser o segundo na ordem cronológica.

A história situa-se em um cenário de segunda guerra mundial no qual as crianças são enviadas para as zonas rurais como forma de proteção. Aqui temos portanto quatro irmãos: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia que embarcam para a casa de campo do professor Digory Kirk. Buscando uma forma nova de lidar com essa estádia, cada um dos irmãos começa a explorar as possibilidades de entretenimento que a casa pode oferecer, sem grandes opções, a caçula Lúcia se encontra atraída por um velho guarda-roupa, no qual ela entra e acaba indo parar no mágico universo de Nárnia. Ao retornar para casa, Lúcia conta as aventuras que viveu, mas nenhum de seus irmãos acreditam, no entanto após uma brincadeira, ela e Edmundo acabam adentrando nesse mundo caótico, sendo que ele é seduzido pelas promessas da Feiticeira Branca e acaba sendo o estopim para a aventura e uma guerra começarem.

O texto de C. S. Lewis funciona bem como obra infantil e possui uma aventura que irá agradar até os mais crescidinhos, abordando a relação entre os irmãos como o cerne da história, mostrando o quão forte é essa conexão entre eles, superando os diversos fatores que os colocam em conflito. A história aqui é curta, mas rica em detalhes, sendo uma obra agradável de ler e que não demanda muito mais que uma tarde.

Se pensarmos no filme de 2005, podemos dizer que aquela adaptação cinematográfica foi fiel em captar a essência da história, principalmente na hora de estabelecer a relação entre os quatro jovens, no entanto a riqueza dos detalhes e da descrição dos personagens feitas aqui é bem mais impactante do que as que o CGI e a direção duvidosa de Andrew Adamson fizeram no longa de 2005.

Aslam e a Feiticeira Branca são sem dúvidas os personagens mais eminentes na descrição do autor, o impacto de suas respectivas presenças é sentido por todos que estão no local, e é claro, pelo leitor também. Por outro lado quem acaba roubando a atenção é Edmundo por ser uma representação extremamente humanizada da infância e como o mundo ao seu redor tem impacto direto em suas decisões. Ele não é ruim ou traidor e sim, simplesmente um jovem que está distante da autoridade dos irmãos mais velhos, mas também longe do protecionismo recebido pela irmã caçula, e como reflexo, nasce sua necessidade imprudente de se provar a todo instante.

Um ponto legal que fica marcado na obra, embora não seja tão explorado, é o cenário de guerra que assombra a Inglaterra e desestabiliza todas as famílias que ali vivem. O guarda roupa e o universo de Nárnia acabam servindo como válvula de escape para essas crianças finalmente terem autonomia de tomarem as rédeas da situação. Apesar de tudo, como obra infantil, é difícil que você encontre um aprofundamento maior nessas questões históricas.

“O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” é uma obra de fantasia simples e de fácil leitura, acessível para todas as idades, além disso carrega consigo uma mensagem positiva sobre amizade e lealdade que compensa a sua leitura.

REVIEW OVERVIEW
Nota
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.