Resenha: It- A Coisa

Derry, outono de 1957: Uma tarde chuvosa, um barquinho de papel, um brutal assassinato. A vida de Bill Denbrough mudaria pra sempre depois dos acontecimentos daquele ano. Mas foram oito meses depois, nas férias de 1958 que o verdadeiro horror realmente chegou – ou retornou – a Derry e uniu Bill Denbrough, Ben Hanscom, Richie Tozier, Stan Uris, Mike Hanlon e Beverly Mars e Eddie Karpbrak, na época crianças de 12 anos.It – A Coisa, é uma das mais clássicas e aterrorizantes obras de Stephen King. Com pouco mais de 1.000 páginas, a história narrada de maneira extremamente descritiva imerge o leitor no terror causado pela Coisa às crianças moradoras de Derry e traz a tona seus piores medos.

A Coisa, responsável pelas dezenas de assassinatos brutais em Derry, pode assumir várias formas, de acordo com os piores medos das crianças. É justamente por isso que ele prefere crianças como vítimas, já que os medos infantis são mais suscetíveis a assumir formas físicas. Sua forma mais usual é como o aterrorizante palhaço Pennywise.

Cada uma das sete crianças do Grupo dos Otários tem peculiaridades distintas e além de precisar lutar contra uma ameaça macabra e vista apenas pelos garotos, tem de lidar com questões reais tão assustadoras quanto. Nesse contexto, a obra ficcional carrega uma bagagem crítica inserindo questões como agressão, homossexualismo, machismo, racismo e problemas familiares, tão presentes naquela época quanto atualmente.

Se ainda não estava nítido, aqui Stephen King deixa claro sua incrível capacidade criativa. Derry, por exemplo, é uma cidade fictícia criada pelo ator, o que é difícil de se acreditar já que King a descreve tão brilhantemente em seus mínimos detalhes. A cidade deixa de ser um local, com papel secundário e se transforma também em um personagem.

O livro é dividido em dois momentos. A história de passa em 1958 e 27 anos depois, em 1985 quando os assassinatos em série voltam a acontecer e o Clube dos Otários se reúne novamente em Derry para enfrentar mais uma vez a criatura sobrenatural.

O interessante nesse contexto de divisão é o contraste que King apresenta ao mostrar os personagens na fase adulta. Ele mostra como a infância e os horríveis acontecimentos influenciaram na vida adulta dos personagens e serviu para moldar suas personalidades.

A história não segue uma cronologia linear, apesar dos momentos passado vs presente. Muito do que foi vivido em 1958 só é revelado no final do livro. Esse elemento narrativo é estrategicamente utilizado para mostrar que os personagens bloquearam algumas lembranças para tentar superar os terrores enfrentados quando crianças, e os fragmentos do passado vem à tona gradualmente.

It – A Coisa é uma história aterrorizante que invade o psicológico do leitor, as mortes e o modo de ação de Pennywise chocam e são de tirar o sono, mas a obra não é só sobre assassinatos. Ela ensina muito mais e passa uma mensagem sobre força e união.

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Crítica: It – A Coisa (2017)

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Arquivo Confidencial: Stephen King

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Jornalista, maratonista de séries, apaixonada pelo mundo do cinema e aspirante a fotógrafa.