[Review] American Horror Story 4×01 “Monsters Among us”

“A vida é feita para ser vivida” – Elsa Mars

Depois de uma temporada cheia de altos e baixos, American Horror Story chega ao seu quarto ano intitulado Freak Show, com muitas expectativas para a estreia e a grande maioria delas foram atendidas e até superadas, diálogos empolgantes, figurino e trilha sonora impecáveis e claro, elenco maravilhoso. O episódio piloto estabelece uma base para o que pode pode ser a melhor temporada da série.

 

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O episódio é todo focado na apresentação dos personagens principais, mesmo que alguns só venham a aparecer no próximo episódio. Bette e Dot (Sarah Paulson), Elsa Mars (Jessica Lange) e o palhaço assassino Twisty (john Carroll) são os com maior destaque. Sarah Paulson interpreta dois personagens diferentes dentro de um mesmo corpo e consegue fazer isso com excito, sua atuação é marcante e tem se superado cada vez mais, as irmãs são engraçadas e estão sempre em conflito entre si, ainda assim é notável o afeto de uma com a outra. Dot não chega a ser completamente má, mas é a irmã mais durona enquanto Bette é mais sorridente e ingenua de tal forma que tornar essa mistura maravilhosa. As duas siamesas estão sendo acusadas de um série de assassinatos e para escapar acabam aceitando o convite de Elsa e se juntam a trupe do Freak Show.

 

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Elsa Mars por sua vez não perde a elegância e poder caricatos dos personagens de Jessica Lange, por outro lado Elsa se mostra mais generosa com suas criaturas, podendo ser considerada uma grande mãe, seu passado ainda permanece um mistério, mas seu presente é a triste história de uma mulher que sempre quis ser uma estrela, mas seu sonho é cada vez mais improvável.

 

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Um dos detalhes mais aguardados pelos fãs foi o palhaço assassino que prometia ser algo realmente medonho e assustador, Ryan Murphy citou várias de suas fontes para construção do personagem, mas no final o resultado não me agradou muito, a criatura parece mais cômica do que assustadora, o exagero na maquiagem com intuito de aparentar deformações foram meio que desnecessárias ao ponto de nem mesmo aparentar ser um palhaço, algo mais próximo de Pennywise (A Coisa de Stephen King) seria muito mais aceitável e assustador, afinal a essência do palhaço de cara pintada, nariz vermelho e cabelo colorido já é assustadora, justamente por ser simples e comum, logo a ideia de que qualquer palhaço pode ser um maniaco assassino aflora na cabeça do telespectador. O personagem tem grande destaque no decorrer do episódio e é um dos percursores do terror pelo pequeno vilarejo de Júpiter, seus crimes acabam caindo sobre as costas de Bette e Dot que como já foi dito, passam a ser acusadas de uma série de crimes.

 

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Agora falemos do figurino e trilha sonora que foram dois pontos positivos apresentados nesse piloto, lembrando que a série se passa no ano de 1950 alguns detalhes precisavam de atenção, um deles é o figurino e novamente a série ganha pontos positivos, as roupas são adequadas as características de cada personagem,  alguns mais simples e outros mais elegantes, porem a combinação dos trajes com a época ficaram perfeitos e para completar temos a trilha sonora tipica dos anos 50, esses fatores juntos conseguiram com muito êxito transmitir a sensação de estar vivendo o mesmo momento em que a história se passa. A trilha sonora foi talvez uma das grandes características desse piloto, já que ela permeou durante todo o episódio até mesmo durante os diálogos, essa trilha não só foi fantástica como também contribuiu na construção do clima sombrio e assustador no qual essa nova temporada procura se impor.

 

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Uma das coisas que eu mais admiro em American Horror Story é que antes dela se preocupar em ser uma série de Horror ela é uma produção dramática, esta sempre abordando temas atuais e os reais medos da humanidade, em Freak Show não esta sendo diferente, nesse piloto já temos bem claro a relação de preconceito para com os Freaks que na época e até mesmo hoje são vistos como minoria, como a escória da sociedade, “Moster among us” mostrou em seus 60 minutos que os verdadeiros “monstros” não são os fisicamente deformados, mas sim os que tem a alma e essência ruim, esses sim são verdadeiros “Freaks”.

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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.