Semana passada fomos contemplados com um dos melhores episódios de American Horror Story até o momento, sim estou englobando todas as temporadas nesse elogio! Foram tantos pontos positivos que eu nem sei por onde começar.

Em “Chutes and Ladders” os roteiristas conseguiram estruturar a narrativa de forma envolvente capaz de prender o telespectador e leva-lo até aquele ambiente sombrio do Hotel Cortez. Diferente das temporadas anteriores essa já nos entregou boas respostas em relação ao enredo, tais como a história do criador do local, a mitologia dos vampiros e até o plot do garoto desaparecido também ganhou destaque.

 

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Os elogios não ficam apenas por conta do roteiro. As atuações estão impecáveis e orgânicas. Lady Gaga está mais confortável em seu papel, Sarah Paulson está excepcional, a insanidade de Sally nos lembra o fantasma Beetlejuice da comédia “Os Fantasmas se divertem”, porem em sua versão mais gore e assustadora. Os demais colegas não ficam atrás. A fotografia é maravilhosa, possui ângulos bem intimistas que por muitas vezes fazem parecer que estamos espiando os acontecimentos. Abrangendo mais detalhes chegamos na direção de arte que por sua vez sempre foi impecável mas nesse momento alcançou outro patamar ao ousar em toda sua estética na hora de fazer o flashback para os anos 1925. Tudo mudou, ângulos, trilha sonora, edição tudo tornou-se o mais belo filme de época.

John e Holden 

O nosso querido John está cada vez mais louco em relação ao caso do psicopata e ao seu filho que vem aparecendo frequentemente em seus sonhos, com uma série de tomadas que nós lembra o descontrolado “Jack Torrance” de O Iluminado, não me surpreenderia nada o personagem tomar o mesmo rumo e se entregar ao vicio e a insanidade do local. Sua filha durante o desfile encontra o irmão, o reconhece, e volta em outra circunstancia para poder conversar com o garoto, porem sem muito sucesso a jovem tenta tirar uma foto dele para mostrar aos pais, mas como todo vampiro, Holden não sai em fotografias. Ainda assim fica claro o interesse e curiosidade dos pais, provavelmente ambos irão investigar. Alex parece ter uma especie de sentimento vingativo em relação a todos esses acontecimentos há até teorias que apontam para ela como o assassino dos dez mandamentos, o que até faz sentido afinal a atriz está creditada na abertura mas até o momento não tem recebido um grande destaque.

O “vírus” do vampirismo

Finalmente já descobrimos qual é o conceito de vampiro que Ryan criou, e quem nos conta é a Condessa que logo após transformar Tristan esclarece ao modelo todas as dúvidas quanto ao “vírus”, sim, é assim que os autores escolheram tratar do vampirismo em Hotel. Assim como nas lendas clássicas eles são imortais, portanto não envelhecem e são imunes a morte por causas naturais. O sol não irá queimá-los, mas poderá drenar sua vitalidade portanto sempre que possível é bom evita-lo. Ela não cita e nem fala quem, mas diz que foi transformada na primeira década do século XX.

A História do Hotel Cortez 

Quanto ao Hotel Cortez quem conta a história é Iris, e segundo ela tudo ali foi construído por Mr. James Marsh com intuito de ter um local amplo para poder torturar e se livrar dos corpos na hora que quisesse sem ter grandes problemas com a policia, portanto todo o prédio foi construído com rampas escondidas nas paredes para que ele pudesse despejar os restos mortais das vitimas em uma área própria no subsolo. O psicopata tinha uma esposa, que pelas cenas (sempre mostrada de costas) sabemos ser loira, e praticamente fica claro tratar-se da Condessa. Depois de um gesto “descuidado” (provavelmente intencional) o magnata é descoberto pela policia e antes de ser preso ele se suicida junto de sua fiel escudeira, a lavadeira. O Hotel então passa para as mãos de sua esposa.

Observações

Três ganchos foram deixados nesse episódio. O Primeiro é o ciumes que Donovan desperta em relação a Tristan, o novo “boy” da Condessa. O que parece é que teremos um longo revanchismo dai por diante. Outro ponto é em relação a Alex e John que provavelmente vão começar a investigar ainda mais o desaparecimento do filho e dessa vez procurando por informações pelo hotel. E por fim quanto ao assassino dos Dez mandamentos sabemos que não é o Mr. Marsh já que ele é um fantasma, porem é evidente que o maniaco seja uma especie de fã do criador do Hotel.

Podemos concluir que esse episódio foi denso, não tivemos muita ação como na premiere, mas a historia foi extremamente bem desenvolvida. Vários plots tornaram-se mais sólidos e alguns mistérios foram respondidos deixando a trajetória da historia cada vez mais verossímil.

Se eu descrevi a premiere como imbatível ao comparada as outras temporadas, “chutes and ladders” eu posso dizer que é apenas uma continuação ainda melhor dessa perfeição do horror. Por favor Ryan, não faça cagadas, nos entregue no minimo algo no nível de Asylum, com esse começo não vai ser difícil. Por favor :s

 

REVIEW OVERVIEW
Nota
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.