Após ganhar o Globo de Ouro de melhor filme e direção, “1917” tornou-se a grande surpresa da temporada de premiações, principalmente aqui no Brasil, onde o filme chegará aos cinemas somente no dia 23 de janeiro, tendo algumas sessões antecipadas a partir do dia 16.

Em um cenário de Primeira Guerra Mundial, acompanhamos os dois soldados britânicos Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman) que juntos cruzam a fronteira inimiga em uma missão suicida com o objetivo de entregar uma mensagem as tropas aliadas e impedir um grande massacre que colocaria fim na vida de cerca de 1600 pessoas.

O momento histórico abordado no filme é conhecido como Operação Alberich e foi uma das diversas estratégias alemãs durante a guerra, no entanto os dois personagens principais são ficcionais. Além disso, muitos acontecimentos da trama e os próprios protagonistas trazem diversas inspirações nos relatos contados pelo avó do diretor Sam Mendes.

Crítica: 1917

Nesse misto de contexto histórico, relatos pessoais e ficção, o roteiro acaba expondo uma história pouco criativa e batendo em questões que já foram exploradas diversas vezes em outros filmes de guerra. A solidão, saudade, amizade, tudo que é abordado aqui soa como “mais do mesmo”. Mais do que isso, o texto ainda é repleto de soluções fáceis e conflitos questionáveis. Em dado momento o personagem de George MacKay bate de frente com um soldado inimigo e consegue escapar dos tiros correndo por um corredor em linha reta, com direito a um enquadramento emocionante e heroico que por alguns instantes nos faz crer que estamos diante de uma produção da Marvel Studios.

Com um roteiro previsível e repetitivo, “1917” poderia ser facilmente descartado se não fosse pelas atuações e os recursos técnicos. Começando pela fotografia ousada de Roger Deakins (de “Blade Runner 2049”). O longa é construído como um enorme plano-sequência, tornando-se uma experiência cinematográfica única. Obviamente existem cortes, mas são todos muito sutis e quase imperceptíveis.

Sam Mendes (“Beleza Americana” e “007 – Operação Skyfall”) é um diretor talentoso e sabe como contornar o seu roteiro simplista, oferecendo dinâmica tanto com a técnica de fotografia mencionada acima, como com a trilha sonora vibrante que sabe trazer o ritmo perfeito para cada cena. Além disso, George MacKay (de “Capitão Fantástico”) entrega uma performance excelente, provando ser um dos grandes atores da sua geração e prendendo a nossa atenção em cada conflito vivenciado pelo seu personagem.

A trama por muitos momentos lembra “O Regresso” (2016) misturado com diversos filmes de guerra. Mas o trabalho de direção de Sam Mendes impede que o longa seja “chato” de acompanhar, longe disso, é uma experiência inédita e que merece ser vista em tela grande. Uma pena não ter tido um roteiro à altura de todo esse brilhantismo, afinal se não fosse por esse detalhe teríamos aqui o melhor filme do ano.

Trailer:

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
5
Direção
10
Atuações
8
Direção de Arte
8
Direção de Fotografia
10
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.