[Crítica] A Bruxa de Blair

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O longa original de 1999 apresentou, de forma preguiçosa, a técnica “found footage” que rendeu inúmeros filmes até piores ao longo dos anos, afinal de contas criar sustos com uma câmera balançando e gritos estéricos por qualquer coisa é simples, barato e rende bilheteria. Em 2007 o espanhol REC, foi uma das poucas exceções em que o diretor e roteirista conseguiram criar um filme de terror bom e usar a estética apenas como auxilio e não meio condutor. Infelizmente em A Bruxa de Blair 2016, nós recebemos o mesmo material do original, porém sem surpresas quanto ao enredo ou a própria cinematografia, restando apenas os defeitos.

James é um jovem que está trabalhando junto de três amigos em um documentário que visa descobrir a verdadeira razão do desaparecimento de sua irmã Heather. A primeira pista os leva até um casal que acaba completando o grupo na aventura rumo a floresta. A princípio o roteiro cria com excito um suspense acerca das inatenções dessas duas personagens e isso acaba movimentando bem a narrativa. O maior problema é a ausência quase total de desenvolvimento de personagens. Todos ali são apenas corpos distintos por seus cortes de cabelo e cores das roupas, com exceção do protagonista, ninguém possui motivações, objetivos ou qualquer relevância minima que permita o público criar empatia por suas vidas, sendo assim os humanos ali parecem tão irrelevantes quanto suas câmeras.

Como terror a produção também falha, uma vez que usa e abusa de sustos fáceis com personagens agarrando umas as outras de surpresa, gritos estéricos e câmeras tremendo, ou seja, nada diferente de outras produções ruins que usam o Found Footage.

Um dos pontos de virada da história é quando uma das personagens está impossibilitada de andar e o grupo acaba acampando por mais uma noite, porém poucas horas depois a mesma escala uma árvore de no minimo 6 metros. Esse foi um dos vários furos que fizeram com que a produção perdesse ainda mais credibilidade.

 

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O elenco é  irrelevante, uma vez que a relação entre as personagens é praticamente inexistente e suas motivações são ausentes, quase não há mérito a ser avaliado.

Nem tudo foi um fracasso. O final do terceiro ato é intenso e claustrofóbico, e gera poucos minutos satisfatórios ao público, mas infelizmente o desfecho é o mais óbvio e previsível possível, o que apenas reforça o quão preocupado o roteirista estava em ser fiel ao original.

O pouco de suspense criado no inicio e a tensão do final foram um dos méritos do diretor, que apesar de deixar muitas coisas importantes fracassarem, ele ainda consegue conduzir a narrativa de forma ágil e suficiente para prender a atenção até o desfecho.

No final das contas “A Bruxa de Blair” fracassa ao ser fiel a um filme fraco, que apenas impressionou e tornou-se clássico pelo mérito de ter trago uma técnica não explorada anteriormente, e ter sido feito em baixíssimo orçamento. Essa versão de 2016, por sua vez extrapola nos gastos e possibilidades, mas repete a estética e copia os defeitos. Em um ano com estreias excelentes como; A Bruxa, Invocação do Mal 2 e O Homem nas Trevas, esse longa serve apenas para nos lembrar que o gênero ainda está preso ao culto da repetição, e obras boas como tivemos ainda são uma minoria em Hollywood.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
3
Direção
6
Atuações
4
Direção de Fotografia
4
Direção de Arte
4
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.