Crítica: Convenção das Bruxas

Reapresentando a amada história de Dahl após 30 anos, o diretor Robert Zemeckis apresenta uma nova versão de “Convenção das Bruxas”, ambientada em 1967, conta a história sombriamente divertida e reconfortante de um jovem órfão (Jahzir Bruno) que vai morar com a sua avó a (Octavia Spencer) na cidade rural de Demopolis, no Alabama, após a morte de seus pais.

É inevitável não comparar com o longa de 1990, que talvez na perspectiva de que eu era criança, a ideia do filme assustava aos montes, além de Anjelica Huston com a sua maquiagem que demorava cerca de oito horas para ficar pronta, aqui temos um material mais fiel a obra literária de Roald Dahl e com um remake que acrescenta algumas coisas que funcionam mais e outras menos, mas que tem o seu carisma.

Podemos começar falando de um ponto extremante positivo, que é o protagonismo negro vindo com Spencer a avó e seu neto também negro que ganham maior tempo em tela e muitos sabem que na versão original, a avó não era uma mulher negra e nem garotinho, mas Guilherme Del Toro e Alfonso Cuarón engradeceram a história com essa visão. Já a Grande Rainha Bruxa (Anne Hathaway) tinha dois grandes desafios, o primeiro reviver uma personagem icônica e o segundo era fazer completamente fora da sua zona de conforto, é notável que a atriz fez um trabalho de voz e trejeitos de uma bruxa, mas em alguns momentos ela fica muito caricata e mimada, faltou um pouco de sutileza, o seu objetivo permanece o mesmo: transformar todas as crianças do mundo em ratos. Mas, se tem uma coisa que a prejudicou também foi o uso excessivo do CGI nos seus movimentos faciais e faltando características mais comuns de bruxas que poderiam ter sido exploradas através de efeitos práticos.

No quesito história, o primeiro ato do filme é pouco dinâmico e pode se tornar pouco perspicaz para as crianças, a trama começa a ganha fôlego com a chegada da avó e de se neto no hotel, roteirizado por Kenya Barris e com a participação de Cuarón e Del Toro percebemos que o filme quer comunicar com a nova geração, o segundo momento do filme funciona bem quando bruxas começam se mobilizar para destruir as crianças que também começam a articular um plano contra as bruxas. As crianças, Bruno Jenkins (Codie-Lei Eastick) e o protagonista ainda são muito inexperiente atuando frente as câmeras, mas quando ganham a sua versão rato ficam mais à vontade na dublagem, já os ratos ganham uma versão muito animada o que chega a incomodar um pouco, porém os dos anos 90 o aspecto era mais convincente e aceitável.

Comparações à parte, acredito que o filme mantém a essência de seu clássico e se atualiza ao tentar comunicar com um novo público, essa questão de um é melhor que é um outro, é uma resposta pessoal e que deve ser debatida entre amigos, mas este filme promete ser uma diversão despretensiosa.

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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação e pós graduando em Gestão de Comunicação Digital e Mídias Sociais. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.