[Critica] Stranger Things – 1ª Temporada

Existem séries boas, essas geralmente você termina e fica louco para que confirmem a nova temporada. Agora existem aquelas séries que são tão impecáveis e bem amarradas que você prefere que não prolonguem a história e comprometam a qualidade. Stranger Things é esse segundo caso.

Ambientada na década de 80, a trama gira em torno do desaparecimento de Will que choca toda a pequena cidade e gera uma série de buscas a sua procura, uma delas comandadas por seus três melhores amigos, Mike, Dustin e Lucas.

Uma boa direção de arte nos leva para o momento exato em que a narrativa se desenvolve, nos permite esquecer tudo que há ao nosso redor e nos projetar naquela realidade, sem esquecer-se de ser introduzida na cultura e personalidade das personagens. E é exatamente isso que a série faz com maestria. A composição do cenário é bela e realista mas o que se destaca são as referencias que vão de posters de filmes como “Tubarão” e “A Morte do demônio” ao Dungeons & Dragons que é constantemente retratado ao longo da história. E claro que também não esqueceram dos melhores hits da época, que são um deleite para quem viveu naqueles anos ou é apaixonado pelo período.

 

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Direção de Arte a parte, outro ponto extraordinário são as atuações que não se limitam a Winona Ryder, que apesar de ótima não se torna a última bolacha do pacote no meio desse elenco incrível. Aqui o destaque vai para o novo, os literalmente novos atores que brilham em todos os planos que compõem cada uma de suas cenas. E como em toda boa atuação há um bom diretor, minha curiosidade cresce ainda mais acerca da construção das personagens e ensaios com essa turma mirim.

No desenrolar dos oito episódios conhecemos todas as personagens, suas origens, motivações e mesmo em curto período presenciamos um desenvolvimento notável de suas personalidades e visão de mundo, que amadurecem e se adaptam em meio as circunstancias difíceis. Aqui temos outro ponto positivo que é o roteiro, ainda que com vários elementos já vistos anteriormente, essa é uma das poucas séries que consegue preservar a individualidade das motivações de cada personagem e ainda assim conectá-las ao arco principal. Todos os coadjuvantes são sugados a se envolverem com o núcleo da história, cada um em seu momento e com um objetivo próprio, mas um alvo em comum.

É indispensável comentar a relação de amizade e cumplicidade que se constrói entre os jovens protagonistas. Há uma delicadeza e sutileza com que a direção pontua gradativamente e no momento certo, os gestos e diálogos de carinho e preocupação de uns com os outros. Aqui percebe-se uma influência enorme de IT e Stand By Me, ambas obras de Stephen King que são conhecidas e populares justamente por trabalhar essa relação de uma forma tão tocante que faz com que o público se sinta parte do grupo. Essas relações são, talvez, o maior requinte condutor da série, pois não se limita apenas ao grupo de amigos, mas se estende a outros níveis de relacionamento englobando até mesmo o arco das outras personagens.

Por fim no último episódio temos a conclusão de todos os conflitos que movimentam a história e as personagens, deixando quase nenhum tópico em aberto e como disse no inicio, há séries tão boas e com um desenvolvimento tão completo que uma nova temporada pode não ser o melhor caminho, cria-se nesse momento um sentimento de insegurança e preocupação em manter sua qualidade. Talvez fosse mais cabível adotar o formato de antologia, mantendo essa equipe incrível, mas sem estender e degastar uma história que já foi tão bem concluída.

 

[Spoiler]: Repararam na referencia a Stand By Me quando os garotos andam pelo trilho de trem, ou o subtexto se referindo a Carrie quando inclusive sitam o mestre King? <3 Além do final em que enfrentam o mostro com um estilingue semelhante ao que usam contra A Coisa em IT.

REVIEW OVERVIEW
Roteiro
9
Direção
10
Atuações
10
Direção de Fotografia
8
Direção de Arte
10
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Guilherme Soares
Criador e editor da Cine Mundo, diretor, roteirista e crítico de cinema. Viciado em séries, com um carinho especial pela eterna Six Feet Under e Buffy The Vampire Slayer.