Crítica: Sweat

Em Sweat, acompanhamos três dias da influenciadora digital Sylwia Zajac (Magdalena Kolesnik), mas caso alguém ainda não saiba do que se trata um influenciador digital, basicamente, é a pessoa que detém o poder de influenciar outras através de sua rede social. Ou seja, quanto mais seguidores você tem mais “poder” você possui de trazer possíveis compradores para determinadas marcas a depender do seu nicho, no caso de nossa protagonista, ela atua no segmento fitness que são pessoas conhecidas por seu estilo de vida saudável.

Dando início a rotina de Sylwia, a conhecemos ministrando uma aula de ginástica que é parte integrante de sua profissão, a sua rede social também funciona como uma ferramenta de divulgação das aulas. Em seguida, somos apresentados a sua morada que dispõe de suporte para seu aparelho celular e luzes apropriadas para gerar os seus conteúdos. Como a maioria das influencers, tudo e qualquer ação do dia a dia, é motivo para postagens, e os seguidores adoram, né? Com isso, o engajamento aumenta, mas uma pessoa que fala sobre estilo de vida saudável parece não poder deslizar, é preciso se manter sempre plena, mas será que todas essas cobranças são sadias?

A narrativa paira justamente sobre uma das questões mais importantes a serem abordadas quando se trata de um influenciador digital, uma das profissões mais cobiçadas da atualidade, apesar disto pouco se fala sobre os bastidores de todo este glamour que aparenta ser, muitos acabam sofrendo transtornos mentais pelas cobranças abusivas e outros acabam se desconectando do que é real que é o caso da protagonista em que chega um momento em que ela se perde e clama por relações humanas  através de um vídeo falando sobre como gostaria de ter alguém para segurar a sua mão, e chega a ser questionada pelo seu agente sobre a sua postura, isto é, atingi um ponto em que dependendo do contrato algumas marcas podem se apropriar daquilo que você posta, e você pode perder o controle de si mesma.

As relações da moça são rasas, ela tenta estabelecer uma conexão com a sua mãe Basia (Aleksandra Konieczna), com um ex-colega de classe e até flertar, mas por mais que ela tente se conectar com essas pessoas as coisas não fluem, a sua mãe parece não compreender a profissão da filha, as colegas estão sempre interessadas em uma seflie e os flertes em sexo e o refúgio acaba sendo todo o amor que recebe pelas redes, que é um ponto positivo e que poucos imaginam que os seguidores acabam sendo colaborativos em  motivar os influenciadores para continuar inspirando e mudando vidas.

O filme integrante da seleção oficial do Festival de Cannes consegue conversar com o público, de como qualquer outra profissão, tudo tem o seu lado bom e ruim, a vida do digital influencer é uma seleção daquilo que ele que mostra e geralmente costuma compartilhar os momentos bons, mas isso não significa que a vida não tem momentos ruins ou de vulnerabilidade, por trás daquela tela tem um ser humano que merece ser respeitado assim como, o influenciador deve ter compromisso e responsabilidade com o que ele propaga.

 

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Andreza Nunes
Nascida em Recife, jornalista por formação e pós graduando em Gestão de Comunicação Digital e Mídias Sociais. Acredito que o cinema é uma arte enriquecedora que pode promover reflexões, mudanças e propiciar a fuga da realidade.