Nessa semana o projeto do filme solo de The Flash estrelado por Ezra Miller recebeu uma grande bomba: Michael Keaton, famoso por papéis como Abutre no “Sonyverso” do Homem-Aranha, Birdman e por ter interpretado o Batman nos filmes de Tim Burton, estaria negociando um papel na produção para ser ninguém mais e ninguém menos que Batman – mais uma vez.

Mas o que isso significaria para o Universo Cinematográfico da DC e para a história do filme dirigido por Andy Muschietti (It: A Coisa)?

A TRAMA DA AVENTURA

Primeiro falemos da trama, pois independente de qualquer troca de roteiristas e diretores de The Flash, o filme sempre se manteve com a base de que iriam adaptar a essência do clássico arco dos quadrinhos Ponto de Ignição (Flashpoint). Nos quadrinhos, essa história serviu como uma aventura épica que reiniciou o universo da DC e criou o reboot conhecido como Novos 52.

Na trama, temos Barry Allen, o herói Flash quebrando as barreiras temporais com sua hipervelocidade e voltando no tempo, para impedir que a sua mãe seja assassinada. No entanto, mexer com a linha temporal traz sérias consequências para o presente. Por conta da sua volta, o mundo é devastado por uma grande guerra entre as amazonas da Mulher-Maravilha e o exército de Atlantis, liderados por Aquaman.

Junto com o Batman dessa nova realidade, mais violento e destemido, e a ajuda do Cyborg, ele tenta restaurar o fluxo temporal e impedir que esse mundo alternativo se concretize. Toda essa confusão temporal leva o personagem a lidar com amadurecimento e a enfrentar o Flash Reverso chamado Professor Zoom. Esse arco já foi adaptado para um filme animado e também para alguns episódios da série da CW.

O UNIVERSO DO BATMAN DE TIM BURTON

The Flash

Até algum tempo atrás acreditava-se que veríamos Jefrey Dean Morgan, que interpretou Thomas Wayne em BvS, de volta ao papel, pois nos quadrinhos a nova realidade criada pelo Flash tem um Batman violento e assassino vivido por Thomas, pois nesse mundo Bruce morreu na fatídica noite no beco. No entanto, segundo o jornalista Umberto Gonzalez do The Wrap, a ideia foi descartada logo no começo da produção e preferiram seguir com o conceito do Batman de Keaton.

“Não existe Thomas Wayne/Batman Flashpoint no filme do ‘Flash’. Foi algo discutido bem no início do desenvolvimento, o que acabou maturando a ideia de ter Michael Keaton reprisando seu papel do BURTON-VERSO ao invés de seguir pela direção do Thomas Wayne.”

Logo o plano é imaginar como seria o mundo do Batman do Tim Burton 30 anos depois e, segundo o jornalista Borys Kit, do The Hollywood Reporter, existe ainda a ideia da DC usar esse Batman velho de Keaton como uma ponte entre os filmes, mais ou menos como o papel de Nick Fury nos longas da Marvel Studios.

“Se essas conversas acontecerem, fontes dizem que Keaton pode acabar interpretando Batman como um mentor, um pouco como Nick Fury, de Samuel L. Jackson, e aparecer em vários filmes. BATGIRL é um dos projetos possíveis.”

Logo isso funcionaria também para o duro trabalho de organizar o Universo DC, pois Matt Reeves precisa manter sua visão de seu Batman com Robert Pattinson, mas ao mesmo tempo o estúdio precisa de uma versão do Batman para futuros filmes da Liga da Justiça e projetos como Batgirl.

AMIZADE DE CIBORGUE E FLASH

Algumas fontes dão como certo que também teremos o Ciborgue de Ray Fisher dentro da história, se assim for, será possível ver um pouco mais de desenvolvido do que foi visto em Liga da Justiça. Ainda seria uma boa oportunidade para Ray, afinal ele é um ator de muito potencial que acabou sendo o mais prejudicado pelas refilmagens e pela montagem final do filme.

Pensando em questões de fidelidade, é bom lembrar que um dos pontos altos dessa história nas HQs é a parceria que acontece entre Ciborgue e Flash, pois na aventura ele é acompanhado pelo Batman da nova realidade e pelo Ciborgue conforme segue tentando compreender esse universo que ele criou por acidente. Além disso, essa produção lidará com o drama constante sobre a perda da mãe de Barry e as consequências trágicas da nova realidade juntamente de uma presença sombria e sádica do Batman, logo a participação poderia não apenas ajudar a expor mais o ator como herói, mas também mostrar muito da amizade entre os dois e desenvolver um certo humor para que o público respire no meio de tanta loucura.

VIAGEM NO TEMPO OU MULTIVERSO?

The Flash

Aqui a gente vai meio que pelo caminho das teorias. Já havia sido falado há algum tempo que o filme abordaria o Multiverso e as novas informações dão uma abertura para isso. O Multiverso implicaria em cada mundo com sua própria cadeia de eventos, algo semelhante ao que foi feito na trilogia reboot de Star Trek.

Caso o roteiro de Christina Hodson funcione bem, o filme poderia explorar esses dois conceitos científicos de maneira simples e adequada. A viagem no tempo altera a realidade de Flash e resgata Michael Keaton e ao final da história, após consertar todas as alterações temporais, teríamos um Multiverso da DC estabelecido nos cinemas. Com isso poderemos ter certos filmes se unindo em uma mesma realidade e outras franquias estariam em mundos separados abrindo caminho para histórias mais arriscadas no futuro, ou seja, na prática esse filme terá essa função de simplificar os projetos do estúdio, tipo o que rolou com a CW em Crise nas Infinitas Terras.

Isso tudo faria com que a DC pudesse trabalhar tanto em aspectos de “visão de autor” em filmes como Aves de Rapina e The Batman, mas também poderiam construir sagas entre os longas das franquias como Shazam, Aquaman e Mulher-Maravilha, além da possibilidade de algum dia colidir personagens de um mundo com o outro em aventuras episódicas, mostrando encontros de “Batmans” e trazendo um certo fanservice, que teria potencial para ser até maior que a Saga do Infinito da Marvel.

COMO CONTAR ESSA HISTÓRIA?

Claro que todas essas teorias e informações podem levar a franquia e o universo muito além nos cinemas, mas dependerá do roteiro de Hodson e da visão criativa de Muschietti para concretizar tantos planos e ainda entregar um filme divertido, empolgante e até mesmo emocionante.

A vantagem do roteiro é ser feito por Christina Hodson, uma roteirista especialista em projetos de risco como Bumblebee e Aves de Rapina, nos quais ela soube renovar personagens ligados a franquias criticadas e inserir não apenas um coração aos protagonistas, mas também ótimas bases para futuros filmes.

Já a escolha de Muschietti como diretor, provavelmente é consequência dele ter sido capaz de adaptar uma história tão difícil como It: A Coisa, o tornando uma boa opção para levar essa aventura sci-fi aos cinemas, sabendo equilibrar o drama emocional do personagem ao mesmo tempo que caminha por gêneros distintos como suspense, humor e aventura.

Há ainda a possibilidade de ter o envolvimento do quadrinista Grant Morrison, autor de diversos quadrinhos sobre o Multiverso da DC, pois ele havia sido chamado pelo ator Ezra Miller para ajudar no processo do roteiro inicialmente, mas não há informações falando se foi mantido no projeto.

The Flash segue com lançamento previsto para Junho de 2022 e maiores informações devem surgir em breve, se quiser ficar ligado para mais novidades sobre esse evento da DC acompanhe-nos aqui no site.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.