Neil Gaiman conversa sobre relação com Brasil e adaptação de “Sandman” na CCXP Worlds

A CCXP Worlds de sexta-feira começou com um painel todo dedicado para o homenageado do ano e um dos maiores artistas e escritores da atualidade, Neil Gaiman que que com muito bom humor e carisma contou sobre série de Sandman e de todo seu amor pelo Brasil.

O autor comentou que em 1989 sua relação com os brasileiros iniciou devidos às edições de Sandman:

“Naquela época, a DC Comics me enviava as edições estrangeiras dos meus quadrinhos à medida que eles eram lançados. As edições brasileiras eram melhores que as norte-americanas, elas tinham versões mais detalhadas das artes ao invés de anúncios na contracapa, artigos explicando e expandindo [a história] no interior.”

Gaiman, no entanto ainda relembrou de certa vez que visitou o país e guardou boas histórias sobre o Brasil:

“A primeira vez que fui para o Brasil, acho que era 1998, eu fui muito bem recebido. Eu estava em um lugar que eu queria estar, eu estava animado de estar aí. Eu fui, conheci pessoas e voltei em 2002”.

Nessa segunda vez no país por aqui foi repleta de momentos curiosos:

“Eu fui pra Bienal do Livro do Rio, onde eu comecei a perder minha voz e quando eu cheguei em São Paulo eu já estava praticamente sem voz”, ele inclusive considera que vê a ocasião como a razão para a criação da lenda urbana que diz que ele é um deus do sexo.

“Se eu tenho qualquer reputação no Brasil de ser um deus do sexo é porque falei com todo mundo com um suspiro grave e íntimo”.

O autor ainda falou sobre as diversas vezes que Sandman quase ganhou sua adaptação para audiovisual como nos anos 2000 que se reuniu com produtores da Warner para adaptar a obra.

Nessa ocasião, um dos executivos de alto escalão do estúdio que ouvia o autor e sua equipe afirmou que as franquias de maior sucesso na época, Harry Potter e Senhor dos Anéis, tinham “vilões bem definidos”. e então lhe perguntaram se havia isso em Sandman:

“‘Sandman tem um vilão bem definido?’ E eu disse ‘não mesmo’. E me responderam ‘bom, foi ótimo te ver, muito obrigado por vir’”.

Gaiman também citou que sua inexperiência com estúdios o faziam aceitar o que produtores e executivos afirmavam quando se tratava de cortar alguma cena por questões de orçamento, mas ele recebeu um conselho de Steven Moffat de Doctor Who sobre isso:

“Ele disse que quando precisa cortar uma cena e escrever uma nova por problemas orçamentais, ele tenta escrever uma cena ainda melhor. ‘Tento fazer uma tão boa que agora aparecerá nas coletâneas de YouTube”.

Esse conselho ele acabou usando em Belas Maldições da Amazon Studios, porém ele diz que até hoje não foi preciso o mesmo com Sandman, a produção teve mais problemas “ocasionados pelo covid” do que qualquer limitação de orçamento.

Ele também diss que a plataforma está lhe dando a liberdade para o projeto, “Nós estamos fazendo a série de Sandman. Não é ‘tipo Sandman’, não é ‘parecido com Sandman’, não é ‘quase Sandman’, não é nada disso. É Sandman. Estamos mesmo fazendo isso”.

Neil Gaiman então se despediu do painel com todo seu bom espírito, otimismo e carinho e nos deixando a promessa dessa série de Sandman pela Netflix entrar para a história junto de seus diversos clássicos da Vertigo.

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Otávio Renault
Nascido em São Joaquim da Barra interior de São Paulo, sou um escritor, cineasta, fotógrafo, desenhista e autor na Cine Mundo, além de um cinéfilo fã de Quentin Tarantino, J.J. Abrams, Neil Gaiman, viciado em séries e leitor de quadrinhos/mangás.